segunda-feira, 6 de junho de 2005

Escrita....



Já não escrevia há uns tempos. Por vários motivos, mas principalmente por não ter vontade de o fazer. Eu sou mesmo assim. Gosto bastante de escrever, mas tenho mesmo de ter vontade. Hoje é um desses dias... apetece-me! Sinceramente não tenho muito para dizer, mas devia, pois já lá vão uns 2 meses que não partilho convosco os meus pensamentos!

Hoje seria um dia especial, se ainda namorasse, mas como já não, passa a ser mais um dia de junho... e quente por sinal! No entanto, veio-me à memória um dia excelente que passei há 7 anos atrás na Expo98. Sim, fiquei mesmo marcado com esse evento, gostei mesmo muito. Até o Serpente lá trabalhou, por isso, pode-se dizer que o balanço final foi positivo! hehe

Lembro-me que nesse ano de 98 ainda havia muitas pessoas que não faziam parte da "família", pelo menos de como a conhecemos hoje. Bem, na verdade, para além de não fazerem parte do grupo, ainda nem as conhecia! A partir desse ano as experiências foram mais que muitas: desde fins-de-ano, a férias de verão, fins-de-semana..... dias de semana.... enfim, nunca mais a minha vida foi como era. Uns deixaram de aparecer, outros surgiram do nada, e a vida muda sem darmos por conta.
A minha mudou muito. Quando tinha 17/18 aninhos, era ainda bastante imberbe, e julgo ter mudado bastante. Bem, tal como eu mudei, também todos vocês mudaram, é certo! Mas como só eu sei como era, só poderei falar de mim! Aliás, se isto é o meu blog, falo de MIM! :)

Hoje dizem que tenho mau feitio... antes não diziam. Eu não sou uma pessoa fácil, é certo, mas julgo não ter o mau feitio que vejo em algumas pessoas que, essas sim, têm um feitio de arrepiar. Digo isto porque quem me conhece, de verdade, sabe que não o tenho. Sou uma pessoa algo independente e orgulhosa, fria por natureza ( mas também consigo ser quente quando quero :) basta pedirem! ), tímido, mas penso que isso não faz de mim alguém com mau feitio. Também já me apelidaram de "conflituoso", em tom de brincadeira, é certo, de qualquer forma fizeram-no. Penso que isso aconteceu há uns anos atrás, pois desde aí nunca mais aconteceu.
As pessoas às vezes chocam umas com as outras, e surgem divergências, principalmente de opinião, e nesse aspecto sou muito directo, e talvez transpareça uma idéia de que quero provocar conflitos,,,,,, ou melhor, queria.... falo no passado porque eu próprio digo que mudei bastante nestes últimos anos. Hoje sou uma pessoa mais "deixa andar" e mesmo por vezes não concordando, faço o possível para que haja consenso. Deve ser da idade, não sei! :)

Hoje sou uma pessoa mais aberta do que era, se bem que poderia sê-lo mais. Nem sempre o consigo, e quando o faço é na onda da brincadeira. Quando bebo uns canecos então... ninguém me apanha! Aliás acho que o meu alter-ego é um pouco movido a etanol. Basta ver que quando fiquei sem poder beber, ele esteve escondido na lâmpada, solitário, e por vezes já nem sei se é bom ou se é mau. Em parte acho piada a algumas situações que acontecem, por outro lado não gosto de alguns excessos. Felizmente não sou uma pessoa muito chata quando fico "solto", acho eu! De qualquer forma, já se passaram coisas que sabe lá Deus quando se voltarão a repetir, se é que alguma vez se vão repetir! Não me posso arrepender de algo que fiz sem dar por conta, até porque algumas foram, no mínimo, embaraçosas. Já todos nós tivemos essa experiência, e julgo até que todos nós já tivemos comportamentos menos próprios depois de umas "tartarugas"! Acho que nos devemos recordar com felicidade desses momentos, que são os mais puros e sinceros da nossa personalidade; vem ao de cima aquilo que realmente somos, exacerbado é certo, mas sempre com algo muito nosso e na verdade tudo o que fazemos nessas situações, é porque nos apetece.
No dia seguinte acordamos e voltamos ao nosso estado normal, fechados, frios, uns mais que outros, distantes, racionais, envergonhados ou não, tímidos........ até próxima tartaruga!

Costuma-se dizer que o verão é a época por excelência para loucuras, por causa da temperatura, das roupas, do bronze, da saúde que se emana, e pelo espírito despreocupado das noitadas. Eu também acho que sim. Não por mim, confesso, pois o meu comportamento é praticamente igual todo o ano, com tartarugas ou com jecas, tanto faz, não preciso do bronze ou do calor pra cometer algumas loucuras, mas é certo que as pessoas não as cometem sozinhas. E nesse ponto, é realmente verdade que as pessoas, de uma forma geral, estão mais dispostas a doidices no verão. Sim, estamos de férias!... é compreensível. Mas acho que o local e a situação fomentam muito isso, e não há dúvida que na época estival surgem situações que propiciam a tudo e muito mais.

Bem, mas eu não sou o meu alter-ego, ou melhor, não me domina no dia-a-dia, como tal, tenho de me basear no comportamento dos restantes 320 dias, mais coisa menos coisa. Hum.... isto quererá dizer que nos outros 45 dias ando alcoolizado...? Não!!!! Nem pensar, isto é só uma estimativa por alto! Fim de ano, ferias de verão, jantaradas, aniversários.... enfim, dará com certeza muito menos que isto!!! :P

Estava eu a dizer que "hoje sou uma pessoa mais aberta", mas também é natural que com a idade isso aconteça ( esta cena da idade está a começar a tornar-se repetitiva!!! ) E o "aberta" levará de certo a que seja sujeito à troça por parte de algumas mentes menos puras, mas não me importo. Aliás eu agora não me importo com nada!
É público que o meu namoro terminou..... ou pelo menos deveria ser para aqueles mais atentos! Ora, isso é uma grande mudança na vida, numas coisas pra melhor, em outras para pior! Podemos fazer tudo o que queremos sem magoar a outra pessoa, mas ao mesmo tempo há coisas que se perdem! Já todos passámos por isso, como tal sabem do que falo!

E Perguntam vocês: "mas onde está a mudança ou a novidade nisso?"
- Ora aí está meus amigos!!! Há pessoas que nunca me conheceram sem namorada! Já pensaram nisso? Bem, dizem vocês: " E....??"

- "E...??????!!!!" Isso é coisa que se diga?? " E....????!!!" As pessoas mudam muito quando deixam um namoro ou quando iniciam um, caso não se tenham apercebido! Aliás, é notório, passa-se em vosso redor diáriamente.
Então, no meio desta conversa, chegamos a uma questão pertinente: " será que ele vai mudar muito, agora que anda solto?" Sinceramente não vos sei responder. No entanto, pelo que vi de outras pessoas, é provável que em alguns pontos mude. Para melhor ou pior, isso agora já depende dos gostos. Eu pessoalmente não gosto muito de pensar dessa forma, pois acho que uma pessoa tem de ser como é, independentemente de namorar ou não, apesar de alguns comportamentos só serem aceites quando não se está comprometido. Bem, mas nem entro por aí, pois eu também não me considero nenhum doido.
De qualquer das formas, alguma coisa há-de mudar, mais que não seja o modo de estar na vida. Tem mesmo de mudar! Para nosso bem, devemos alterar alguma coisa, pois quando determinadas situações acontecem, há sempre um motivo, plausível ou não. Julgo que devemos crescer com as mudanças que acorrem na nossa vida, e esta é uma delas. Por vontade própria, ou não, devo de aproveitar que ela aconteceu, para alterar algumas coisas.

Quando só dependemos de nós próprios, ficamos com mais espaço de manobra e mais liberdade em determinados aspectos, mas também nos sentimos por vezes desamparados em outros. Eu, apesar de ser uma pessoa fria e por vezes distante, gosto de ter o apoio das pessoas que me rodeiam, até pra colmatar alguma solidão que surge sempre em alguns momentos, por mais que digamos que estamos muito bem e que "agora é que sou feliz", etc, a verdade é que há momentos em que sentimos falta da pessoa que estava sempre ao nosso lado, ou pelo menos, estávamos habituados a isso. Os hábitos perdem-se, é certo, mas as memórias ficam connosco. Mais uma vez, devido à minha maneira de ser, não sou muito afectado por isso, e ultrapasso relativamente bem, ou sem grandes exteriorizações do que possa sentir; no entanto, não sou de ferro, à excepção de algumas zonas localizadas do corpo, e é claro que há recordações que deixam-me saudoso.
Engraçado que há pessoas que para esquecer um namoro que terminou, começam a aparecer em tudo o que são festas, querem sair com tudo e todos, estão disponíveis para qualquer noitada e realmente é de ficar parvo, no mínimo, ao observar tamanhas mudanças. Ora, essas são aquelas mudanças que de certo não verão em mim. Não porque me queira isolar, mas simplesmente porque eu, namorando ou não, estou nas noitadas e sempre apareci e desapareci conforme os compromissos! :) Como tal, não será aí que notarão alguma mudança. Claro que, como disse, a liberdade é outra, e começo a só depender de mim e do meu estado de espírito, não tenho de respeitar a opinião da pessoa de quem se gosta etc, como tal algumas "participações" mais fervorosas são de se esperar, claro!

Não comprei o kit ardósia, se é que estão a pensar nisso, até porque não sou muito de ardósias, na medida em que as marcas são efémeras... apagam-se logo à mínima assopradela. As minhas marcas são com tinta permanente... como tal é natural que arranje, eventualmente, um kit de canetas de acetato ou tinta da china! Estou a brincar, como é óbvio ( não nas marcas que deixo, isso não brinco ehehe ), acham mesmo que iria comprar canetas de acetato, quando tenho tinta correctora, que por si só é muito mais eficaz e prática?? ( .....5 seg de silêncio......)

OK, vamos passar este último parágrafo!

Este mês e meio que aí vem vai ser agressivo em termos académicos, como tal a minha disponibilidade para mudanças será escassa, mas logo que acabem os trabalhos e exames, espero dedicar-me mais um pouco a mim próprio e ao meu bem estar, físico e psicológico, pois este ano foi uma cena alucinante.... ainda está a ser!
Não quero com isto que pensem que vou deixar de ser o que sempre fui, até porque tenho 26 anos e essas coisas não são assim, da noite para o dia, mesmo que queiramos. As coisas são lentas, e espero que sempre ascendentes.
Uma promessa que fiz a mim mesmo é a de que: vou fazer o possível para que as pessoas me conheçam melhor. Sim, conheçam melhor pode parecer descabido, pelo menos para aqueles que já me conhecem há anos! Mas será que me conhecem bem? Será que já o tentaram? Pode parecer estranho, mas não o é. E por esse motivo é que às vezes quando vêem algumas facetas do meu alter-ego ficam surpresos/as. Precisamente porque a minha racionalidade do dia-a-dia faz com que a entrega e a abertura seja diferente. Mas isso pode mudar.

Há umas coisas que gostaria de fazer antes dos 30. A idéia dos trinta anos não tem de ser necessáriamente limitante, mas como tinha de estabelecer um prazo, pareceu-me razoável, até porque depois dos 30 os objectivos na vida tendem sempre a ser outros. Não queria com isto impor a mim mesmo etapas, ou obrigações, mas há realmente algumas coisas que gostaria que acontecessem. Sabem aquela frase que diz: " não te arrependas do que fizeste, mas sim do que ficou por fazer"?! Se não é assim é algo do género, ou pelo menos o sentido é o mesmo. Os anos estão a passar a uma velocidade alucinante e há coisas que têm o seu tempo, e julgo ser a altura certa para realizar algumas delas. Pode ser que não consiga, mas ao menos posso sempre dizer que tentei! Não vale a pena ficarem a pensar no que será, ou "no que andará ele a pensar", pois calculo que vos passe esta idéia com frequência. Deverá haver de certeza coisas que gostariam muito de fazer mas ainda não tiveram oportunidade, ou porque está adormecida, ou mesmo porque pensam que ainda vai ser possível mais tarde. Desenganem-se, pois há coisas que não podem ser feitas quando tiverem 35, 40, 45 anos, com filhos, marido e casa para sustentar. Pensem um bocadinho nisso e depois vejam se não tenho razão. Ok, é verdade que algumas delas dependem das posses que temos no momento. Algumas dessas coisas dependerá de ter ou não ter possibilidade de realizá-las, mas outras há que só depende de mim.

Sempre fui muito amigo dos meus amigos, e posso dizer que tive óptimos amigos e amigas. Gosto muito de recordar alguns bons momentos que vivi, de algumas pessoas que infelizmente já não fazem parte do meu dia-a-dia, mas fizeram parte da minha infância e adolescência; infelizmente os rumos da vida tiraram-nos da minha rota. Tenho um enorme prazer também em ver algumas fotos de momentos vividos na "família", ao ponto de por vezes dar por mim a passar horas a observar essas fotos e a rir-me sozinho. Gosto muito de pensar no que passou, no que passo presentemente e no que poderá vir a ser a minha vida no futuro. Sempre fui assim e acho que sempre serei. Às vezes, nem sempre tantas quanto gostaria, preciso de ficar sozinho e de sentir esses momentos, porque me fazem bem e permitem-me por as idéias em ordem.
Claro que depois também tenho os meus devaneios como: " faço um arroz que até te espumas", atiro cerveja a quem não devo, ou queimo o cabelo a alguém , em situações que nem eu sei porque acontecem. Na verdade gosto de ambas as facetas, porque se equilibram, e porque são ambas um pouco de mim.

Eu gosto muito dos meus amigos e julgo que eles também nutrem esse carinho por mim, de qualquer forma, entendo que não seja partilhado da mesma maneira por todos. É natural que nos demos melhor com certas pessoas, ou que tenhamos mais confiança e abertura com um grupo mais restrito. O que não é natural é que não haja a abertura que deveria haver entre pessoas que se dizem conhecer tão bem. Mas a razão é só uma. Medo de falar. As pessoas têm medo de se expor, receio de ser gozadas. Por vezes acredito que haja até uma certa falta de confiança, ou um receio de incompreensão...? Eu posso falar por mim, pois julgo que neste momento, tirando uma pessoa, talvez duas, não conheço ninguém que tenha confiança em mim a 100%, ou talvez àvontade para falar de tudo. Sim, "uma ou duas pessoas é normal", poderão dizer vocês, até porque amigos/as desses/as não temos às dezenas! É verdade. Claro que sim.

Mas vejam bem: aquando do final do meu namoro, só houve uma pessoa do nosso grupo que se chegou ao pé de mim e perguntou como estava eu a encarar a situação, porque sentia-me ausente, questionou-me se estava bem, enfim, manifestou interesse. Não é natural, julgo. É certo que não andei a chorar pelos cantos, mas a coisa passou-se como se nada fosse. Já da tuna, houve 2 ou 3 pessoas que fizeram questão de vir falar comigo durante um bom bocado sobre a situação, apesar de me conhecerem há meia duzia de anos, somente em ambiente académico, não pessoal.
Isto faz pensar, e como é óbvio, assumo a "mea culpa". Lá está, eu não me entrego muito, não me exponho com facilidade, como tal, não posso querer que os meus amigos tenham coragem ou interesse para vir falar comigo sobre o que quer que seja. Eu também não sou pessoa de andar a chorar nos ombros de ninguém, é certo, e sei bem o que é que posso exigir de cada um, sei até onde devo ir, e sei também quem é que encaixa, ou não, algumas das coisas que digo. Não são todos iguais, e o tratamento, naturalmente, não é igual.

Sou uma pessoa que me me entrego quando tenho confiança, e confiança pra mim é sentir que também há entrega da outra parte. Eu confio numa pessoa que mantém determinado comportamento comigo em todas as situações, e não só quando tem um copo de cerveja na mão. Há gente que por partilhar um copo de vinho comigo à mesma mesa, julga que é meu amigo ou que pode saber tudo a meu respeito,... julga mal. Também não vou nos sorrisos, nem nas conversas meladas, ou vou até onde acho que devo ir. Ou seja, sou muito selectivo nas amizades fortes que faço, mas quando as tenho respeito-as ao máximo. Há pessoas com as quais nunca tive oportunidade de aprofundar a amizade, por vários motivos, mas principalmente por não ter havido ainda a comunicação certa, acho eu.
Também é certo que em alguns momentos destes últimos 5 anos da minha vida, afastei-me em algumas situações, porque namorava, porque estava mais virado para a minha relação, porque não pensava tanto em quem me rodeava, fui menos amigo do que poderia ter sido em determinadas situações. Isso ressente-se, é compreensível.
Também não quero que as pessoas digam: " este já não namora e agora pensa que vai andar aqui cheios de abracinhos e intimidades"..... não, não sou tipo raposa de andar a mudar o pêlo conforme a estação do ano. Simplesmente dediquei anos da minha vida a uma relação, que ficou em águas de bacalhau, falhei em algumas amizades, e agora é minha vontade dedicar-me aos meus amigos, a aprofundar algumas relações, e a mostrar algumas coisas de mim que andaram notóriamente "enevoadas".
Todos gostam muito do sentido de humor do Gonça, etc, ele anima muito e é bastante engraçado, mas acho que sou um bocado mais do que "bobo da corte". O que é certo é que, para além das piadas e de algum humor, os comentários positivos à minha pessoa ficam-se por aqui, e já houve tempos em que as pessoas minhas amigas tinham algo mais para dizer de mim. Quero alterar a imagem que possam ter da minha pessoa, e conto também que façam o mesmo, pelo menos aqueles que não me conhecem bem ou que nunca se aproximaram o suficiente para tal.
Prometo que procurarei ser mais receptivo, transparente e amigo.

Bem, e para quem não tinha nada para dizer, já escrevi demais. Espero que não tenham apanhado uma grande seca, pelo menos quem leu isto até ao fim!

Aproveito para vos deixar com esta letra que eu gosto muito

Jorge Palma - "Deixa-me Rir"

Deixa-me rir
Essa história não é tua,
Falas da festa do sol e do prazer,
Mas nunca aceitaste o convite.
Tens medo de te dar,
E não é teu o queres vender....

Deixa-me rir
Tu nunca lambeste uma lágrima,
Desconheces os cambiantes do seu sabor
Nunca seguiste a sua pista,
Do regaço à nascente
Não me venhas falar de amor....

Pois é, pois é!
Há quem viva escondido a vinda inteira
Domingo sabe de cor,
o que vai dizer.... segunda feira

Deixa-me rir
Tu nunca auscultaste esse engenho,
De que falas com tanto apreço
Esse curioso alambique,
Onde são destilados
Noite e dia o choro e o riso.

Deixa-me rir
Ou então deixa-me entrar em ti
Ser o teu mestre só por um instante
Ilumindar o teu refúgio
Aquecer-te essas mãos
Rasgar-te essa máscara sufocente.

Pois é, pois é
Há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor
o que vai dizer.... segunda-feira


Um bom começo de semana para todos!!!

Beijocas e Abraços

Gonça




terça-feira, 26 de abril de 2005

De novo Sagres...

Já não escrevia há muito, mas há coisas que não podem passar despercebidas, e uma delas foi este magnífico fim de semana em Sagres. Quando se pensa que já se viveu tudo o que havia para viver naquele local, acabamos por nos surpreender! Foram 3 dias muito bons!!! A companhia, a praia, a noite.... não há palavas para descrever as sensações vividas. Ia ficar de novo 3 horas a escrever, para contar tudo o que se passou este fim de semana, mas sinceramente não me está a apetecer, porque estou muito cansado, e ainda nem deu para assentar ideias. Voltei para casa com mais umas quantas memórias em "família" e, sinceramente,.... Sagres é muito bom!!!

Beijocas e Abraços

Gonça

terça-feira, 8 de março de 2005

Memórias....



Quando vejo algumas fotos, já de alguns anos atrás, dou por mim a relembrar óptimos momentos que vivi no seio da tuna, da qual ainda faço parte. Foi a época "dourada" das tunas...... Refiro-me, mais ou menos, aos anos de 1998, 1999 e ainda talvez 2000.

Nesta época, ainda era eu um mero caloirito, mais precisamente, aspirante a caloiro, vulgo "pirilau"( pois quem entra ainda não merece sequer o estatuto de caloiro da tuna ), tinha muito mais cabelo, usava óculos, o traje brilhava e cheirava a novo e....... eu ainda nem imaginava onde me ia meter!
Praxes atrás de praxes, festivais, actuações em terriolas, encontros de tunas, muito convívio, copos, bifanas, e fundamentalmente: academismo!

E afinal de contas o que é isso do "academismo"?!..... essa palavra tão vulgar mas, ao mesmo tempo, desconhecida da maioria dos estudantes.....???!!!
Bem, eu não sei se consigo definir academismo, mas acreditem que é muito mais que uma simples "doutrina da filosofia académica"! Academismo é, acima de tudo, um modo de estar. É a igualdade, é o viver a Universidade segundo as suas regras e tradições; é seguir a normas da praxe e obedecer à hierarquia instituida; é viver experiências em torno da nossa academia, e saber partilhá-las com os mais novos. É saber aprender, para mais tarde saber ensinar.
Como vêem, nem de longe consegui definir este conceito, mesmo já tendo sentido por tantas vezes a sua essência. Acho que passa por aí mesmo, ter de "sentir".

Quando entrei para a Lusófona, procurei logo saber se havia alguma tuna, pois desde sempre tive o "bichinho" e queria realmente fazer parte de um grupo académico. Confesso que desconhecia completamente o meio e, inicialmente, o meu motivo era mais a vertente musical existente nestes grupos. Procurei informar-me e acabei por ir às audições. Uma semana e meia depois já tinha eu comprado o traje - a capa, a batina, o colete, a gravata, a camisa, a calça, a meia e o sapato. Nessa altura ainda não tinha grande significado para mim. Não passava de um "uniforme". Começava aqui um role de vivências e de etapas que tinham de ser vencidas.

Levei 1 ano e poucos meses a passar de "pirilau" a "carrula"- o caloiro oficial da tuna. Passei a poder usar a gravata, a comer com um talher ( até então só podia comer com as mãos ), ganhei alguma autoridade perante a classe inferior, e as praxes ocorriam em menor frequência. Os tempos eram difíceis, e os veteranos muito exigentes, por isso, como devem calcular, foi uma felicidade ter ultrapassado essa barreira! Seguiu-se mais 1 ano de relativa "bonança", por vezes intercalada com algum evento, em que a praxe fazia as delícias dos mais velhos. Havia quem se lembrasse de fazer "ginástica" às 9:30 da manhã, depois de nos termos deitado há duas horas atrás, com uns copos a mais........ e de boxer para a rua, lá iamos nós.

Ao fim de quase 3 anos atinjo finalmente a etapa mais desejada, o estatuto de "tuso"- o veterano da tuna. Devo de dizer que muitos ficaram pelo caminho, e outros tantos acabaram por desistir sem nunca ter chegado ao último degrau. Hoje talvez admita que, se o consegui, em tão pouco tempo, foi devido ao excelente grupo do qual fiz parte. Ajudámo-nos uns aos outros, e com alguma inteligência e perspicácia soubemos ultrapassar as dificuldades, da forma mais aprazível possível. Podia agora traçar a capa, comer com quantos talheres quisesse, opinar, praxar, rejeitar,.... tinha ganho a liberdade tantas vezes desejada, mas, ao mesmo tempo, ganhei responsabilidade.

Ao início, quando se é pirilau, tem-se, e eu próprio tive, a idéia de que tudo gira à volta da música e que tuna que é tuna tem de andar em cima do palco a toda a hora e tocar maravilhosamente, com destreza e afínco, qual Estudantina! Nada mais errado!
Com o tempo, fui-me apercebendo que a música não é mais do que o veículo que nós, estudantes, usamos para transmitir as nossas próprias vivências, sendo ela importante, mas não o mais importante!

Entretanto fui criando amizades, acumulei experiências (e devo dizer que vivi óptimas experiências), toquei em muitas dezenas de terriolas, deambulei muito pela rua, em particular por Alfama, fiz muitas serenatas, participei em muitos bons festivais, bebi, comi, ri.... e até chorei; no meio disto tudo, fui praxado centenas de vezes, humilhado, desprezado, sempre ouvindo que " o caloiro é feio, burro, verme, imundo, desdentado, orelhudo, chato, pestilento e rameloso".......para mais tarde ter o direito de praxar, ser respeitado, e poder transmitir, às classes mais novas, tudo aquilo que é a vivência de um caloiro.

No início deste texto, disse que tinha boas recordações. Refiro-me ao passado porque hoje as coisas estão diferentes. Antes de mais, já lá vai o tempo de caloiro. Após muitas trocas de opiniões, toda a gente é consensual ao dizer que é nesse fase que uma pessoa se diverte mais. Pelo espírito de entreajuda que se cria, pela juventude, pela despreocupação, por tudo ser novidade, etc.
Hoje a minha posição é mais a de deixar legado, organizar os eventos, passar a mensagem e ensinar.
- "E não é bom?"- devem estar a perguntar!? Sim, é bom e confortável! No entanto, não é tão bom como deveria ser. A malta de agora ( não lhes chamo jovens, porque eu próprio ainda me considero jovem! ) não é feita da mesma "nata", não se movem pelos mesmos princípios e a mensagem só é captada à custa de muito esforço. Não quero com isto dizer que os caloiros de hoje estão todos perdidos,..... até porque ainda há, felizmente, algumas pessoas com vontade de levar isto em frente.
Só que, não sei se é por não terem sido feitos à base da "porrada", do pião, do berlinde, do iô-iô,......... são mais, playstation, mais autistas, menos participativos, mais obtusos, têm menos amor à camisola.... são mais desinteressados. Com a agravante de que, só em cada 100 candidatos, encontrarmos alguém que saiba tocar, minimamente, algum instrumento. Eu ainda sou do tempo em que, em Linda-a-velha, havia dezenas de bandas de garagem. Bem sei que o ensino da música no nosso país é só para alguns privilegiados, mas sempre assim o foi! Concluo que tudo o que dá muito trabalho e implica sacrifício, a rapaziada de agora deixa para segundo plano. Fundamentalmente, "tradição já não é o que era"!

Se calhar estou a dramatizar, pois o mundo tunante está um pouco decadente de uma forma geral, não é só na Lusófona. As gerações de 73 a 79 foram realmente colheitas fantásticas e, se um dia nos chamaram " geração rasca" o que chamariam à geração de hoje? Talvez seja só uma fase. Ainda há por aí muito festival, toneladas de eventos académicos, festas atrás de festas....mas não com o sabor de outros tempos!!!

Hoje entro na sala da tuna e, na maioria das vezes, tenho de ser eu a abrir a porta! Sim, porque houve temps em que ela estava sempre aberta! Com um frigorífico cheio de minis, e uma sala fresquinha nos dias quentes de verão..... que mais poderia uma pessoa desejar nos intervalos das aulas? Ao olhar para todos aqueles prémios, cartazes, adereços, parece que ainda ouço, com saudade, a harmonia do acordeão, a melodia das violas, o rasgar do cavaquinho, o tilintar dos bandolins, o ritmado do bombo, o balanço do contrabaixo e o saltitar das pandeiretas! E as vozes!!! Que arranjos magníficos a malta fazia, que logo em segundos se juntavam umas poucas dezenas de curiosos para nos ouvir tocar.

E por fim, com casamentos pelo meio, alguns já com filhos, mais carecas, barrigudos, muitos já licenciados e outros a "caminho de".....ficam as amizades, as memórias, as lembranças de bons momentos vividos, muitas histórias para contar, muito convívio, e o desejo de que a tradição continue a ser, o que sempre foi.


Beijocas e Abraços

Gonça



"Que as lembranças de um estudante,
Façam saudade na sua história."







sexta-feira, 4 de março de 2005

Azares,,,,,,,,!!!

Deixo aqui um abraço ao irmão David pela perda das suas malas em Portugal. Em tanta mala que havia no Aeroporto da Portela, tinha logo de ser a tua, já viste o azar???!!!!

Enfim, o tratamento que os "trolhas" dão às bagagens também não é dos melhores, por isso não era de admirar, pois isso acontece diáriamente!!! Pensamos é que nunca nos calha a nós!

Compra um sabonetinho para lavares a peúga e o coecão, e olha........ quanto ao barbâmio, deixa-o crescer!!!

Espero que tragam boas fotos e não deixem de visitar todos os antros de prostituição para mais tarde estabelecerem o roteiro a visitar, a pedido do Curto!

Divirtam-se!

Beijocas e Abraços

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005

Mais um semestre...



Acabados os exames, retornamos ao ritmo normal. Inicia-se o 2º semestre com novas disciplinas, novos professores, novas matérias, e novos problemas.... :|


Há que começar bem e desde já aviso, a quem ainda estuda, agarrem-se já e não deixem tudo para junho, pois começa o calor, praia, noitadas, e quando tiverem de estudar para os exames, .... é que são elas!!! Aproveitem que ainda está frio, e vão estudando aos poucos! ;)

Quem deseja voltar a estudar, e desde já desejo as maiores felicidades, também é bom que se mate a estudar pois os exames nacionais estão aí à porta, não tarda nada!!!

Espero que este semestre corra bem a todos, pois não há melhor sensação, a nível académico, do que chegar ao final do ano e saber que se "limpou" tudo.

Boa sorte para todos!

beijocas e abraços

Gonça


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

1ª Grande Vitória....



PASSEI A MATEMÁTICA 2 !!!!!!!!!!!!!!!!!!!

PELA PRIMEIRA VEZ EM TODA A MINHA VIDA UNIVERSITÁRIA PASSO A UMA MATEMÁTICA!!!

OK, OK , PODEM BATER PALMAS E FELICITAR-ME QUE EU ACEITO!!!! :)

BEM, E JÁ LÁ VÃO DUAS.....


Abraços e Beijocas

sexta-feira, 28 de janeiro de 2005

"Work Liberates"




Passados 60 anos, vem-nos à memória Auschwitz-Birkenau. É hoje lembrado como tendo sido o 1º campo de concentração de judeus.
Poderia escrever aqui no blog um extenso texto sobre as origens deste campo de concentração, e de muitos outros que havia, sobre o holocausto, o nazismo e os seus ideais, etc, ........ mas achei que, por muito interessante que pudesse ser, eventualmente, a leitura da minha escrita, não conseguiria através dela passar a vastidão de informação presente nos milhares de documentos que "vagueiam" actualmente pela internet. Por isso, deixo ao vosso critério essa mesma pesquisa, se acharem que vos interessa saber um pouco mais sobre o tema.

Foi, de facto, um dos mais terríveis actos que a natureza humana pôde cometer, ou pelo menos o único, no modus-operandis. A História tem inúmeros relatos de genocídios, crueldades e mortandades, mas nunca antes se tinha visto uma "máquina de morte " semelhante, na estrutura, na ideologia, na concepção,..... ainda para mais vindo de um povo conhecido como sendo culto e moderno, como o alemão.

Mas é um facto, aconteceu, e não foi perpetrado por monstros ou outros seres imaginários, mas sim por humanos. Milhões de pessoas foram maltratadas, humilhadas e exterminadas, tendo por base a vontade humana. O pior da sua natureza está presente nesta fotografia, que nos leva, através de uma linha férrea, à entrada de um mundo que nos acolhe com a frase: "ARBEIT MACHT FREI". A partir daí, não será difícil imaginar o pesadelo e a desumanidade ao qual aquelas pessoas estavam sujeitas.

E com isto termino, sem antes deixar de recordar às mentes mais distraídas de que, passados 60 anos, ainda há pessoas que seguem o Nacional Socialismo, outros há que não acreditam no holocausto, atribuindo a grande maioria dos relatos aos Aliados da 2ª Grande Guerra e, no meio disto tudo, estão os sobreviventes que, anos passados, dia após dia, vivem com a saudade de familiares e amigos que viram ficar para trás...... muitos sem saber como nem porquê.....

Em memória de todas essas crianças, mulheres e homens.....

Beijocas e Abraços

Gonça






quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

Aí estão eles...!!!




Bem, está a aproximar-se aquela época depressiva do ano em que temos de estudar!!!

Isto, pra quem ainda está a tirar um curso! E as minhas aulas ainda nem acabaram!!!
Gostava sinceramente de fazer todas as cadeiras, mas isto cada vez está mais complicado,... se bem que ninguém disse que ia ser fácil! Enfim, a vida de estudante é assim mesmo e tenho é de me aguentar "à bomboca"! ( por falar em bombocas, não como disso há muito tempo)
Para aqueles que já vão a meio dos exames, desejo-lhes excelentes notas! Para aqueles que ainda agora começaram, ou vão começar ( como eu ), espero sinceramente que tudo corra pelo melhor!
Amiga Picassol, espero que explodas a secretaria com as tuas notas fantásticas e que consigas aquilo que tanto ambicionas!
Quanto a ti Boni, se fizesses Análise Mat. I , até te pagava um copo! Ok, MecÂnica Aplicada também podia ser, mas aí já te pagava uma jantarada!
Quanto aos outros, trabalhem que foi pra isso que estudaram.......
Portanto já sabem: se eu desaparecer do mapa, procurem-me em qualquer antro de estudo da cidade de Lisboa, lá estarei, de certo!!! :)
Beijocas e Abraços


terça-feira, 18 de janeiro de 2005

Horizontes Longínquos....



Sempre fui um apaixonado pela Astronomia, apesar de nunca ter seguido nenhuma dessas vertentes, fundamentalmente porque exige grandes conhecimentos de física e principalmente porque em Portugal não tem sucesso algum. O mais certo era ter de sair do país para conseguir alcançar os meus objectivos e, quando nós começamos a delinear o nosso futuro, no secundário, naturalmente ficamo-nos por coisas mais "terrenas". Não pensamos, como é óbvio, em sair do país, estudar fora, etc, etc... isso nem sequer nos passa pela cabeça! De qualquer das formas, é sem dúvida uma área reservada a estudiosos e investigadores, e eu sempre estive longe desse panorama académico.

O que não quer dizer que não possa ser um eterno apaixonado por estes assuntos, e também nada me impede de pesquisar sobre os mesmos. O telescópio é um eterno desejo, ainda não realizado por ser dispendioso e por obrigar a deslocações a locais apropriados. Teria de ir mais vezes para o meu monte e, se é certo que isso não seria o problema, quanto ao dinheiro já não posso dizer o mesmo! O que entra na carteira, normalmente, nunca atinge os valores exigidos por um equipamento minimamente aceitável, e como tal, vai sendo adiado.

"-Esta conversa vem a propósito de quê?" - devem estar vocês a perguntar!!!??

Pois bem, vem a propósito da nave Huygens-Cassini, mais propriamente a sonda Huygens, ter chegado a Titan. Para os menos conhecedores, trata-se da maior lua de Saturno e a segunda maior do Sistema Solar. A distância que nos separa deste satélite natural é de 1.277.325000 kms, o que, pelo menos para mim, é bastante longe! Apesar de ser uma lua de Saturno, encontra-se aproximadamente a 1,2 milhões de km desse planeta. Tem cerca de metade do tamanho da Terra, a pressão atmosférica é 1,5 vezes maior e a sua temperatura à superficie ronda, em média, os -180 ºC. A atmosfera é composta essencialmente por Nitrogénio, Metano, vestígios de Amónia. Árgon e Etano. Foi descoberto por Christiaan Huygens, em 1655!
Como podem ver, é um ambiente fantástico e muito apetecível!

Normalmente, no nosso dia-a-dia, estamos tão embrenhados nos nossos assuntos mundanos que nem reparamos nos feitos que o Homem atinge, dia após dia, e a importância dos mesmos. Para a maioria das pessoas, com tanta miséria e fome que há no mundo, é completamente descabido estar a gastar milhões de euros em sondas, pra tirar fotografias medonhas, ficar a saber coisas insignificantes sobre algo que não nos melhora a vida nem nos afecta directamente, e além do mais, não oferece informação imediata, pois exige, na maioria dos casos, anos de análise sobre os dados recolhidos.
Podemos até especular se, todo o dinheiro gasto em investigação espacial valeu a pena? Ter ido à Lua??? Para além de rochas, de que valeu? Milhões e milhões de dólares em sondas espaciais pra Marte, Jupiter, asteróides..... perguntamo-nos, e com razão, com que objectivo?? Descobrir seres alienígenas?? Não..... acreditem que não! Para esse objectivo já foram gastos outros tantos biliões de dólares! :)

Normalmente, tudo o que tem a ver com ciência, é polémico, e exige fundos enormes. Não é novidade que muitos projectos, eventualmente de extremo interesse para o conhecimento científico, ficaram por terra, exactamente por assumirem valores proibitivos, com ganhos duvidosos a longo prazo..... prazo esse pelo qual os possíveis investidores não estavam dispostos a esperar. Mas ainda há alguns que vão para a frente, e este foi um deles, através de uma parceria entre a NASA e a ESA ( Agencia Espacial Europeia ). Então voltamos ao mesmo: " Para quê???"
Bem, tanto este projecto, como muitos outros que já se realizaram, ou poderão vir a realizar-se, trazem benefícios enormes, fundamentalmente, para os países envolvidos, e de uma forma mais indirecta, a todos os restantes. Isto porque, para a realização dos mesmos, formam-se equipas, estudam-se materiais, conceptualiza-se novos instrumentos, analisam-se dados, evolui-se tecnologicamente e aumenta-se o conhecimento. Mais tarde, fruto desse desenvolvimento, surgem aplicações na aviação comercial, na robótica, no automobilismo, na oceanografia, na marinha, no exército, nas telecomunicações, etc......... coisas essas que as pessoas, de uma forma geral aplaudem, pois afectam-lhes de uma forma mais visível! Não nos esqueçamos que, se hoje falamos ao telemóvel com a prima do Canadá, ou fazemos vôos intercontinentais com precisão, ou até vemos o que se passa em directo no Jornal da Noite, isso deve-se à exploração espacial e aos conhecimentos que dela advieram.
Mas investigação é isso mesmo: "plantar agora, pra mais tarde colher frutos".

O cidadão comum não faz a mais pequena idéia do caminho que teve de ser percorrido, das batalhas que se tiveram de vencer, do conhecimento que o Homem teve de adquirir, até ter conseguido, aqui da Terra, "comandar" um objecto por uma distância de milhões de km, de forma a lançar uma sonda, com um pára-quedas, e com ela conseguir captar imagens e dados, de um local totalmente desconhecido e longínquo, do Sistema Solar.

Abandonou-nos em 1997 e cumpriu o seu objectivo: a 14 de janeiro de 2005, um objecto vindo da Terra chega a Titan, e mais uma fez-se História....

.....resta-nos saber que outras fronteiras o conhecimento humano ultrapassará...??


"Tempo virá em que a investigação diligente, cobrindo longos períodos, esclarecerá coisas que hoje estão escondidas. O tempo de uma vida, mesmo que totalmente dedicado ao estudo do céu, não seria suficiente para a investigação de tão vasto tema(...) Por isso, esse conhecimento terá de desenvolver-se ao longo de gerações sucessivas. Tempo virá em que os nossos descendentes se surpreenderão por não sabermos coisas que são tão óbvias para eles (...) Muitas descobertas estão reservadas às gerações vindouras, quando a lembrança da nossa existência já estiver apagada. O nosso universo seria uma coisa insignificante se não houvesse sempre nele algo a ser investigado por todas as gerações que vão surgindo(...).
A natureza não revela os seus mistérios de uma só vez. "

( Séneca, Questões Naturais , livro 7, século I )






Pensem nisto......

Abraços e beijocas

Gonça








terça-feira, 11 de janeiro de 2005

Chuva.....



Não me lembro da última grande chuvada que ocorreu em Portugal. Nem eu, nem ninguém! E isto porque, estes últimos 3 meses que passaram, foram os mais secos das últimas 2 décadas. Eu realmente não me recordo de um Outono e início de Inverno com tão pouca chuva. Pode ser que tenha ocorrido, mas não me recordo, mesmo! O que é certo é que: se choveu em dezembro, eu não me apercebi!!!

E isto é mau, muito mau.....

Os meses de Dezembro e Janeiro são fundamentais para os recursos hídricos, para o cultivo, para a alimentação dos animais herbívoros, para as plantas em geral,...... e não chove, não cai uma pinga, e as previsões não apontam para água, pelos menos durante a 1ª quinzena deste mês.

Começamos a entrar numa fase que tecnicamente, em climatologia, considera-se de "Seca", os terrenos começam a ficar em "stress hídrico", o que, e não é preciso ser-se muito inteligente para perceber, terá consequências extremamente danosas.

Todos nós gostamos deste solzito que se vai fazendo, do cachecol, do friozinho.... até aí tudo bem, e até é normal para a época. Agora, não chover..... aí sim, as coisas começam a ficar negras, e devemos realmente começar a ficar preocupados!

A grande maioria dos rios portugueses são provenientes de Espanha. Se o nosso país vizinho também sofrer um período de seca, já sabemos que a torneira terá de ser fechada do lado de lá. Ora, se não começar já a chover, as nossas barragens ficarão com níveis minimos de abastecimento, e teremos de andar a pedinchar aos nustros hermanos por uns "copitos" de água. Claro que estou a satirizar a situação, mas o que é certo é que não é inédito, e se o Alqueva veio dar-nos outra esperança, certo é que, sem água, não há barragem que nos safe.

Espero sinceramente que comece a chover, forte e feio, com trovoadas à mistura ( que é coisa que não vejo há bastante tempo ), pois as minhas ovelhas já não aguentam tanta palha!!! Andam os bichos doidos por uma ervinha verdinha e um malmequer apetitoso, e só lhes passa pela língua capim seco..........

...e anda o resto da Europa num tremendo dilúvio....!

"Esta mer** dos tsunamis e maremotos fo*** o tempo todo!!! Telefonem ao Paco Rabanne, por favor!

Rezem meus amigos, rezem, para que o sol de agora não se torne chuva de verão!

Beijos e Abraços

Gonça


quarta-feira, 5 de janeiro de 2005

Silêncio dos Inocentes



Mais de 150.000 mortos, milhões de desalojados, milhares de feridos, prejuízos incalculáveis, e muita fome, sofrimento e desespero.......
O maremoto que devastou o sudeste asiático silenciou muitas almas inocentes. Pessoas que, tal como nós, tinham projectos de vida, família, desejos e vontades.

Num continente maioritáriamente dominado pela religião Budista, muitos já se questionáram sobre a justiça do sucedido, mas a natureza não se rege por vontades divinas. Nós somos peças de um puzzle em contante mudança, equilibrado e belo. Na nossa curta existência, é preciso ter um pouco de sorte para que não estejamos no lugar errado, à hora errada.......mas nem sempre assim acontece. Efectivamente todas aquelas pessoas não tiveram sorte, mas também nem tudo se resume a isso.
O homem é um ser inteligente, mas também ganancioso e muitas vezes negligente para consigo próprio, subestimando o que, por si só, não pode ser ignorado. Desde sempre que o homem soube defender-se, melhor ou pior, das adversidades da Natureza e com isso, evoluiu enquanto espécie.
Todos nós sabemos que existe tecnologia disponível que, usada de forma conveniente, e em prol das populações mais susceptíveis, permitiria evitar tamanhas catástrofes. Não as naturais, é certo, mas pelo menos as sociais. Se aquelas pessoas tivessem sido avisadas atempadamente, é provável ( e isto é especular ) que tivessem sobrevivido milhares. Mas tal não aconteceu.....
Não sei se, numa altura destas, vale a pena estar a pensar "no que teria sido se", mas há que reflectir sobre um problema que nos pode afectar a todos, com consequências igualmente desastrosas, e não há como aprender com os erros dos outros.

Hoje estabeleceu-se um luto internacional em homenagem às almas que pereceram nessa tragédia, que se realizará ao meio-dia, e durará perto de 3 minutos. Durante esse tempo era bom parar um pouco pra pensar sobre isto, sobre outros casos anteriores e já esquecidos, e exigir um pouco mais daqueles que podem, pelos cargos que ocupam, fazer um pouco mais por todos nós, e pelo nosso bem estar. Ou não estivessemos nós no ano 2005.....

Beijos e Abraços

Gonça

quinta-feira, 30 de dezembro de 2004

FELIZ 2005



Todos os anos desejamos que o ano seguinte seja melhor que o anterior, no entanto nunca sabemos o que nos espera. Senão vejamos o que aconteceu na Ásia..... todas aquelas pessoas há 366 dias atrás estavam a brindar a um ano próspero e cheio de saúde, mas a natureza pregou-lhes uma partida. É nestes momentos da vida que compreendemos o quanto estamos vulneráveis e que a vida é tão curta que só a podemos aproveitar da melhor forma possível.
Realmente, nestes momentos, a frase tão utilizada pela minha amiga Ritinha, qual lema de vida - "carpe diem " - faz um enorme sentido!

Este ano foi complicado. Não foi realmente fácil. Mais pobreza, mais guerras, mais dificuldades económicas, mais desemprego, queda de governo, pedofilia, enfim....., -"as mesmas desgraças de sempre"- dirão vocês. E não deixa de ser verdade! A esperança é a última a morrer, mas parece que de ano pra ano tudo piora e não vemos possibilidades de melhoria. Mas uma coisa é certa, o futuro é incerto, e nenhum de nós sabe o que poderá acontecer amanhã!

Daqui a algumas horas vou para o Algarve, com os amigos de sempre, pra acabar o ano em beleza e começar o próximo em grande! Normalmente costumo trazer boas recordações e, como é óbvio, este fim-de-ano não será excepção!!!

Assim sendo, só me resta desejar que em 2005 a vida melhore pra todos nós, que possamos todos ter muito sucesso nos objectivos que estabelecemos, que tenhamos todos muita saúde, em paz e harmonia. Não sei se é pedir muito, mas já ficava contente se tal acontecesse!

Deixo aqui uma beijoca muito grande à minha irmã, que se vai estrear no seu Reveillon Finlandês!!! Sei que gostarias mais de passá-lo cá com os amigos e familiares, mas há que pensar que será mais uma boa experiência, a juntar a tantas outras que tens tido nos últimos 2 anos. Diverte-te o mais que puderes!!! ;) Entra com o pé direito! :)

A todos os outros, amigos ou família, desejo-vos uma óptima passagem de ano, curtam muito, não se estraguem, e mais importante que tudo: Queimem os últimos cartuchos !!!!

Feliz 2005! Bom Ano pra todos !!!

Beijocas e Abraços

Gonça






quarta-feira, 22 de dezembro de 2004

Acendam-se as Velas...



Acabei hoje as minhas compras de Natal, felizmente! Estava impossível andar na rua e os centros comerciais rebentam pelas costuras! Pela primeira vez na minha vida consegui comprar todos os presentes que queria, atempadamente e sem grandes sobressaltos, pois o pior virá amanhã e depois de amanhã.....nem quero saber!!!
Este ano sinto o "consumismo" de uma maneira brutal. Sempre existiu um pouco, principalmente nas grandes cidades, mas não sei porquê, as pessoas andam todas loucas. Tanto os vendedores como os consumidores. São televisões de 2 e 3 mil contos à venda na Fnac, expostas à vista de toda a gente, são portáteis, i-pods, telemóveis, toneladas de gente a devorar Dvd's, livros, cd's, relógios, aneis, pulseiras, etc etc, numa cena que nunca tinha visto como este ano. Bem sei que no ano passado não andei muito em lojas por esta altura, mas de qualquer forma, conseguia-me aperceber das coisas. No meio de toda esta orgia de gastos (pra nós) e lucros ( para os vendedores ) ouvi, sem querer exagerar, 2 ou 3 pessoas a desejar "Feliz Natal".
Sou uma pessoa que reparo muito no espírito que se vive nesta época, principalmente quando estamos já a dia 21 de Dezembro. e não me recordo de um ano tão pobrezito. Tirando as iluminações da rua, ou as de casa, não se sente que estamos a 3 dias do Natal. Pode ser má impressão minha, mas realmente não tenho sentido.
Este ano vou passá-lo em Lisboa, coisa que não acontecia há já bastante tempo! Não há duvida de que o Natal na cidade não tem tanta graça, ou melhor, diria mesmo, graça alguma!!! Se calhar é por isso que não sinto o mesmo de outros anos. A cidade é caótica, fria, egocêntrica, não há verde, natureza, lareiras, animais, cheiros,...... é tudo artificial. Só quem tem a felicidade de experimentar o que acabo de dizer é que sabe o que sinto.
Enfim, não é por isso que vou deixar de ter a minha árvore, as minhas luzinhas, o presépio, os presentes, a música, os doces, a família ( só a mais chegada pois, o resto, é só pra tomar café ),...... e, à falta de lareira, tem-se o aquecedor e as velas! Sim, acendam-se as velas!!!
Confesso que dá-me sempre uma certa nostalgia dos tempos de criança, em que tudo era belo, em que se vivia um autêntico sonho. Hoje já não é assim, é certo. Ora senão veja-se: o pai Natal é uma farsa; a árvore, afinal de contas, até não tem nada a ver com o Natal; o espírito de Natal, se é que existe, é fundamentalmente virado para os presentes, porque na verdade as pessoas nem querem ouvir falar de Missa do Galo ou do "amor pelo próximo",..... e outras tantas coisas!
Apesar de não ser um verdadeiro católico, muito menos praticante e grande conhecedor, gosto do Natal, pelo que representa e pelas recordações que deixa. Para mim, é a festa da família. Não é que reveja pessoas que não é costume ver durante o ano, não é o caso, mas é uma época de maior entrega. No entanto, volto a dizer, na cidade não há o mesmo brilho.
Aqui as pessoas distraem-se com outras coisas, está-se fechado numa sala, as pessoas ao final da noite vão para as suas casas, enfim, os normais 2 ou 3 dias em família, passam rapidamente para somente algumas horas, ou melhor, algumas refeições....! Coisa que não se passa no campo, em que os familiares pernoitam, acordam, almoça-se, convive-se, janta-se, ceia-se, tudo em família. Aqui isso é impraticável, e quer queiramos quer não, perde-se bastante.
Bem, na verdade, em termos de festividades, o ano de 2004 não será muito rico, a meu ver. O Natal é sexta e sábado, ou seja, não quebra a semana ao meio, logo, passará muito rápido. O fim de ano, contráriamente ao ano passado em que estive uns quantos dias fora, será este ano muito mais curto, somente 3 noites..... talvez todas acordado, pois é costume dormir de dia. De qualquer forma espero que seja divertido, como sempre foi em anos anteriores. Apesar de não estar com tanta pica como é costume ( talvez por ser pouco tempo, por não poder beber uns copos, por estar preocupado com outras coisas que tenho de fazer em Janeiro ) vai saber bem estar umas horas com o pessoal, fora de Lisboa. Há sempre umas quantas memórias que ficam, pra juntar a tantas outras! Vamos ver então o que nos reserva o ano de 2005........
Desejo-vos um Santo Natal, com muita Saúde, Felicidade e Paz!!!
Beijos e Abraços
Gonça
------> não vos desejo muitas prendas pois estaria a ser consumista, e eu bem sei que vocês se contentam com a peúga e o pijamita!!!! <-----------

sábado, 27 de novembro de 2004

Eterna Infância




Já lá vão 24 anos desde o dia em que esta foto foi tirada. Não me recordo nada deste momento, mas recordo-me de muitos outros que passei ao longo da minha, ainda curta, vida.

Hoje, como já devem ter feito as contas, faço 26 anos! Realmente é verdade que a partir de determinada altura, fazer anos é somente um dia de festa, mas não comemoramos o facto de estarmos mais velhos.... sim, porque sentirmo-nos com esta idade é péssimo!!! Começamos a ser chamados de "cotas" pelos miúdos de 18 aninhos, e outras coisas mais, mas enfim, hoje não vou fazer dramas, até porque a ocasião não é pra isso!!!

Queria apenas partilhar convosco que estou 1 aninho mais velho, espero que atinja muitos mais, com saúde e cheio da guita!

Gostava de poder brindar convosco, mas infelizmente "os gajos" não me deixam! ( nome carinhoso pelo qual eu trato os meus anticorpos, sim, aqueles que me andam a comer o fígado )
De qualquer forma, e porque 1 dia não são dias, vou bombar um garrafão de tinto com todos , até porque ando com uma sede daquelas que só eu sei!!!!

Feliz aniversário a mim mesmo! :)

Beijocas e Abraços

Gonça

sexta-feira, 12 de novembro de 2004

S. Martinho



Sempre tive uma grande curiosidade em saber o porquê das coisas. Como é óbvio, não é excepção tudo que diz respeito a tradições. Assim sendo, andei a pesquisar sobre esta altura maravilhosa que é a das castanhas, água-pé, jerupiga, romãs, e o porquê do dia de S. Martinho. Ora pois então, conta-se que ia S. Martinho montado no seu cavalo quando se levantou uma grande tempestade. Avistando um mendigo a tremer de frio, S. Martinho não terá hesitado e, com a espada, rasgou a sua capa ao meio para que o homem se agasalhasse. Conta a lenda que, naquele momento, o Sol espreitou por entre as nuvens para que nenhum dos homens passasse frio. Desde então, o Verão de S. Martinho dá todos os anos um "ar da sua graça" (uns anos com mais Sol, outros com menos), sendo sempre pretexto para um magusto ao ar livre com castanhas assadas, água-pé ou vinho novo. Não se conhece a relação entre S. Martinho e as castanhas; provavelmente, será apenas uma coincidência de datas. Dia 11 de Novembro é a data da morte de S. Martinho e é sensivelmente por esta altura que nos meios rurais se prova o vinho novo, se enchem as pipas e há uma certa alegria no ar propícia a festas.Quanto às castanhas, desde sempre tiveram lugar nas mesas portuguesas. Na Idade Média, nas regiões mais desfavorecidas, os castanheiros eram até conhecidos por "árvores-do-pão", devido ao papel importante que desempenhavam na alimentação. Em regiões como a Beira e Trás-os-Montes, quando as colheitas de cereais eram fracas, as pessoas recorriam às castanhas para se alimentarem durante grande parte do ano. Em vez de pão comiam castanhas e, como os Descobrimentos não tinham ainda trazido as batatas do continente americano, as castanhas desempenhavam um papel muito semelhante ao hoje ocupado pelas batatas (ou seja, serviam de acompanhamento à maioria dos pratos). Cozidas, assadas, ou piladas, temperadas com erva-doce, recheio de patos e perús e até ingrediente de sobremesas e doces (como bolos, cremes, pudins e gelados), as castanhas aí estão para tornar mais saborosos os dias cinzentos de Outono.

A romã ocupou durante séculos um lugar importante na mitologia e nas cerimónias religiosas, provavelmente devido às suas características particulares. Foi, inclusive, considerada um símbolo de fertilidade em algumas civilizações.Este fruto, que surge no final do Outono, é tradição ser comido no Dia de Reis, 6 de Janeiro. Segundo a tradição, nesse dia devem-se guardar alguns baguinhos de romã no porta-moedas para que o dinheiro não falte no resto do ano…

Portanto, como podem ver, muitas das nossas tradições têm origem nos alimentos da época! Não há dúvida que grandes acontecimentos da História da Humanidade se passaram à volta de uma mesa recheada de iguarias. Saibamos aproveitar o que de bom a natureza nos oferece e comamos umas "quentinhas e boas" acompanhadas de vinho novo, para que esta tão deliciosa tradição perdure.

Certo é que, nas aldeias, o S. Martinho é vivido em todo o seu esplendor. Razão essa pela qual eu tanto gosto de ir ao Alentejo nesta época. Além do mais, posso sempre assar as minhas castanhas...

Bom S. Martinho pra todos(as)

Gonça

sexta-feira, 29 de outubro de 2004

Silêncio

Pois, bem sei que tenho estado "calado" há já algumas semanas, mas é que não tenho tido muita disposição nem tempo para escrevinhar umas linhas. Já todos sabem que o dia-a-dia complicou-se com o início das aulas. O tempo livre de um trabalhador- estudante é curto, e com certeza não será passado a actualizar um blog com a frequência que seria, caso a disponibilidade fosse outra.

Como sabem não tenho muito para vos dizer, talvez para a semana que vem, eu escreva qualquer coisa de "produtiva"!!!

Hoje vinha só anunciar que vou estar fora o fim de semana, e como tal não poderão ter a minha tão desejada presença, sim, calculo que todas as sextas vos venha à cabeça a minha imagem e que logo esbocem um sorriso por saber que vão estar comigo. O carlão esboça por outros motivos, mas não vou expor os prazeres dele aqui em publico.

E perguntam vocês: - " vais para o monte??" e eu digo-vos : - "não! vou para o Norte!"
Pois é, e não vos vou dizer mais nada, pois sei que vão-se ficar a remoer de curiosidade, sobre esta minha súbita migração a outras latitudes.

Espero que passem um óptimo fim de semana, que se divirtam ( principalmente quem vai ver Ivete Sangalo, ou lá como se chama aquela gaja de pernas altas que vem da terra colonizada ), e em especial à Drª Raquel, RAQ para os amigos, deixo uma enorme beijoca de parabéns por mais um aninho que faz no dia 31 de Outubro. Que contes muitos e muitos mais ainda!! :)

Já agora não se esqueçam que de 31 pra 1 de Novembro, mais precisamente às 2h da manhã, devem atrasar os relógios uma hora.

Beijocas e Abraços a todas/os!!!

Gonça

sexta-feira, 8 de outubro de 2004

O Saber não ocupa lugar....




Realmente, a época de início de ano lectivo é sem dúvida especial. O reencontro dos colegas, as disciplinas novas, a ocupação mental ao abordar a temáticas recentes, é de facto uma benção pra quem ainda estuda.

Não há duvida que os estudantes, enquanto vivem essa fase, não dão o devido valor ao facto de terem a possibilidade de andar numa Universidade, de poderem explorar novos horizontes, que para alguns são muitos distantes, ou até impossíveis de alcançar.

Até há uns anos atrás, mais de metade da população portuguesa era analfabeta. Hoje, essa percentagem é muito inferior, e a que ainda resta, é motivada por uma faixa etária que, infelizmente, mesmo nos dias de hoje, não teve possibilidade ou motivação para aprender sequer o abecedário.

No entanto, apesar de a iliteracia ter diminuido drasticamente, nem por sombras resultou numa melhor empregabilidade. As taxas de desemprego aumentam de dia pra dia, sendo o sector dos Licenciados, ou de um modo geral aqueles que têm maiores habilitações, a que mais sofre.
É verdade, de facto as coisas estão complicadas, pois em meados dos anos 90 começou a pegar a moda do "Ensino Superior" e da necessidade de ter o chamado "canudo" pra vingar, como garantia de sucesso profissional. Mas o sonho caiu que nem gotas de chuva em dia de tempestade....

A sociedade rebenta pelas costuras de Licenciados, principalmente nos grandes centros urbanos, nomeadamente nas áreas das humanidades, conhecidas por terem pouca aplicação prática no mercado de trabalho. Surge então o apelo às novas tecnologias e às áreas das artes e ciências, mas mesmo assim, até nessas que segundo as estatísticas estão em falta, as saídas profissionais estão limitadas.

Contudo, e colocando de parte um pouco o drama que é o desemprego em toda a Europa, temos o reverso da medalha. As sociedades desenvolveram-se, a produtividade aumentou exponencialmente, a "culturalização" dos cidadãos cresceu na mesma medida, e não há duvida que a sapiência é o motor dos povos modernos.

As pessoas interessam-se mais pelo que se passa no mundo, a globalização motivou a partilha das preocupações à escala mundial, o eventos culturais estão na moda, as cidades têm mais vigor e respira-se conhecimento, informação, interesse pelo Porquê, pelo Onde, pelo Quando, pelo Quem,....... e tudo, graças ao ensino! Esse grande pilar das civilizações!

O livro é a base de tudo. Actualmente, a internet é a biblioteca do séc XXI, a uma escala nunca antes vista, possibilitando uma troca de informação, acessível a todos, por quem tiver interesse em consultá-la. E quem motivou isso? As Universidades, claro está! É aqui que começa a investigação, que os alunos ganham motivação para explorar novos conhecimentos, que a frase " o saber não ocupa lugar" começa realmente a fazer algum sentido.

Por tudo isso, sinto-me feliz no regresso às aulas. Apesar de não ser um aluno exemplar, sinto um enorme prazer em aprender coisas novas, em trocar idéias, em saber que existe algo para além do que julgávamos ser possível. Estamos rodeados de pessoas com um nível intelectual semelhante ao nosso, sentimo-nos bem em dialogar, em procurar ultrapassar etapas e objectivos ( se bem que puramente académicos, não se comparando com os que são impostos profissionalmente) , criamos amizades para a vida, temos oportunidade de lidar com situações que não teríamos se nunca tivéssemos feito parte deste mundo e, sem dúvida, uma Universidade "abre" a mente, supostamente, a quem por lá passa.

Uma Universidade, como a própria palavra sugere é "universalidade" - pois é uma instituição académica que agrega vários institutos superiores, vulgarmente conhecidas por"Faculdades" - onde encontramos pessoas de várias culturas, com diferentes saberes, experiências de vida, interesses.
No meu entender, apesar de as sociedades modernas estarem de pé atrás no que diz respeito à formação dos actuais "doutores" e quando as pessoas se questionam se realmente vale a pena investir numa formação superior, eu digo: VALE! É a melhor coisa que se pode fazer pra crescer e ganhar maturidade, riqueza mental.
Quando bem vivida e aproveitada, a Universidade, para além de formar doutores, arquitectos e engenheiros, forma também cidadãos. Ganhamos um "background", racha-nos a cabeça de tal forma, que é impossível entrar-se nela e sair da mesma maneira, inócuo, indiferente ao que se viveu e experimentou. Crescemos em todos os sentidos.

Basta reparar na abrangência de assuntos que normalmente se experimenta num grupo de pessoas formadas, e compará-la com a de um grupo que não tem qualquer formação superior. Tirando, obviamente, as excepções à regra, quem passa por uma Faculdade, desenvolve uma riqueza mental, um raciocínio, um interesse pelo que o rodeia, que não tem qualquer tipo de comparação. De uma forma geral são pessoas mais interessadas e com uma cultura mais vasta.

Conclusão, pior que ser ignorante, é ser-se indiferente, não ser interessado, e deixar passar por entre os dedos a oportunidade de aprender mais, e sempre mais. Não explorar a grandiosidade e as capacidades do nosso cérebro, é morrer, é deitar para o lixo todo um potencial que pode estar escondido em qualquer um de nós. Para isso, claro está, há que ter a oportunidade para isso, mas também a força de vontade. Com ela movemos montanhas.

Espero com isto, ter motivado quem agora iniciou o seu ano académico 2004-2005, a esforçar-se, e a ganhar moral para os próximos meses. Não pensem só no canudo e no que ele vos poderá proporcionar, pensem também nos conhecimentos que ficam para a vida e na base de partida para muitos outros conhecimentos que poderão vir a obter. Esta mensagem é também para aqueles que já acabaram o curso e acham que basta, que chega de estudar. Afinal de contas, o fundamento de qualquer Universidade é: ensinar-nos a pensar, a criar o nosso próprio caminho e a nunca desistir de saber mais, porque afinal de contas....

...... "o saber não ocupa lugar".

Vamos é ver agora se eu próprio sigo as minhas linhas de pensamento...... he he he

Bom ano académico

Beijos e Abraços

domingo, 19 de setembro de 2004

Caminhos


foto retirada de Olhares.com

Já não escrevia há algum tempo. Não gosto de o fazer por obrigação, mas sim realmente quando tenho vontade. O que começou por ser um blog que tinha como função falar de mim, e ao mesmo tempo, ser um meio através do qual eu vos poderia dar novidades sobre o que se ia passando na minha vida, rapidamente perdeu esse contexto, na medida em que não teria muita razão de ser........ ou, pelo menos, deixei de lhe dar a conotação de "diário".
É realmente muito difícil manter uma escrita diária, sem cair na futilidade. Por isso, pensei ser mais interessante passar a colocar algo, quando achar que o deva fazer. Hoje é um desses dias...!

Como sabem, estive num casamento. Não é, de certo, novidade! Em determinada altura, pensei pra comigo: " o que será da minha vida daqui a 10 anos? Ou mesmo 5 ? " ......" Que caminho seguirei, e que influência terá isso para a minha vida? " -"Estarei casado? divorciado? solteiro? Feliz?" - fiquei um pouco apreensivo, pois como disse em tempos, os 25 anos "bateram" de uma maneira que só eu sei!
Não sei se alguém mais pensa nisso, com certeza devem pensar, e não sei também, se pensam, de que forma o fazem?...... preocupados? indiferentes? carpe diem? ...... pois é, nem todos tivémos as mesmas vivências e, provavelmente, as metas a atingir também não serão iguais. Mas, com certeza, todos nós temos os nossos planos para o futuro!??..... certo?

Ao ver aqueles noivos a darem o "nó" e a marcarem mais uma etapa importante da sua vida, que é sem dúvida, o casamento, perguntei-me se daqui a uns anos seria eu? Casar-me-ei? Se sim, quando? Terei de o fazer? Se não o fizer, de que forma me sentirei afectado com isso? E os que me rodeiam?
Este velho hábito de convidar uns amigos para comemorar uma "união" não deixa de ser engraçado, mas até que ponto nos é útil? Porque é que as pessoas, pura e simplesmente, não vivem a chamada "união de facto"? Já que não vêm como importante que a sua relação seja abençoada por um padre, porquê fazer o chamado "casamento à civil"?
Ok, não sou parvo de todo, os interesses em termos de direitos cívicos, financeiros, etc, enquanto cidadãos casados, são considerávelmente superiores aos de uma "união de facto"....... mas será somente isso? Quem o faz, não será, muitas vezes, para agradar a família? E porque raio temos nós de agradar a família? Porque razão teremos nós de seguir hábitos e costumes, regras e tradições..... só porque vivemos numa sociedade de vive como tal?

Nascemos, crescemos, educam-nos, começamos a trabalhar, passamos a viver em função do dinheiro, decidimos oficializar uma relação com outra pessoa, isso traz-nos direitos, não ficamos somente para "tios", somos bem vistos na sociedade, trabalhamos uma vida inteira, temos filhos, somos escravos dos filhos, educamo-los, morremos....... repete-se o ciclo.

É este o ideal de vida?

Que caminho escolher? Seguir as pegadas de quem nos precedeu, ou, pelo contrário, viver uma vida de autêntica loucura, experimentando sempre coisas novas, sem nunca seguir os hábitos considerados como "padrão"? Deveria eu viver em Portugal até aos 27 anos, pegar nas trouxas, ir para a Malásia, regressar aos 35, ignorar a necessidade de ter uma casa nova, um óptimo carro, roupas de marca, mulher, filhos, um casamento estável e uma vida profissional exemplar...? Resumindo, fazer vida de nómada, e só "assentar" aos 45??

Ou, pelo contrário, deverei eu acabar o meu curso, trabalhar no duro, casar, filhos, sonhar com uma casa de férias, passeio pela europa com a família numa monovolume ( muito ao estilo de "família feliz"), educá-los, ser escravo do trabalho, envelhecer com os netos, morrer...... e fechar o ciclo?

E pensando eu que tenho 25 anos, que daqui a 5 ( que passa num instante! ) terei 30..... e que supostamente uma namorada minha terá também perto dessa idade..... e que logo, logo, deverei ter o primeiro filho ( ou estarei condenado a não conseguir sequer levá-lo ao Jardim Zoológico sem ser de bengala)........... fiquei um pouco preocupado, porque acho que ainda tenho de viver umas quantas coisas até lá, tenho de acabar um curso, juntar dinheiro, atingir determinados objectivos........... acho melhor começar a aproveitar melhor o tempo, pois a contagem decrescente começou!

Julgo que, normalmente, as pessoas das nossas relações não pensam muito nisso, ou pelo menos não vejo atitudes que demonstrem o contrário. Se calhar ainda não "bateu", ainda não houve aquele "clic", ou quem sabe, para tudo há um relógio biológico que nos condiciona!? Afinal de contas, pra quem pensa casar-se e ter filhos, comprar casa, etc, nos dias que correm, é de todo conveniente que comece a juntar algum dinheiro, que comece a organizar a sua vida nesse sentido, até porque a nossa juventude não dura pra sempre! No entanto, o lema do carpe diem sabe muito melhor, e questionamo-nos diáriamente se não será o mais correcto? Afinal de contas, "sei lá se estarei vivo daqui a 5 anos?"

Houve quem dissesse: " quando um casar, seguem-se todos os outros!" ......... será? Por um lado acho que sim, é normal. Os elementos do grupo começam a afastar-se um pouco, cada um começa a ter a sua vida profissional e íntima, e não há muito tempo para grandes actividades para além das familiares! Os que sobram, não têm outro remédio senão dar o nó..... até porque depois começa a não parecer bem andar solteiro..... " que horror, 33 anos e nunca se casou"....... são comentários habituais muitas vezes feitos pelos mais velhos, mas que não estão ausentes nas cabeças de quem recentemente se juntou a alguém, e constituiu família. Os solteiros, por assim dizer, começam a ficar de lado, até porque as conversas de jovens casais, e pais, começam a andar sempre à volta de fraldas, roupas, mobília da casa,........... e o olhar de lado que começa a ter algumas consequências menos salutares, tais como: " aquela gaja já é mãe, eu estou aqui com 31 anos e nada.....!" - ou quem sabe, algo do género: - "tu quando fores pai vais compreender....", passa a fazer parte do nosso quotidiano.

Ou seja, somos origatoriamente "atirados" contra o destino que também, invariavelmente, nos está traçado: " nascer, reproduzir, morrer". Tudo o resto, pelo meio, são adereços!

Poderão dizer que a minha visão talvez seja um tanto ao quanto simplista, mas o que é certo é que passa pela cabeça de 97% das pessoas casar e ter, pelo menos, um filho. Umas, mais tarde do que outras, mas que calha a todos nós, lá disso não nos livramos. Está-nos nos genes a vontade de deixar descendência! Há quem não tenha sucesso! Outros há, que têm sucesso até de mais! E, ainda há uns quantos, que se fazem de difíceis..... mas lá no fundo, no fundo, em algum momento da vida, terão essa vontade,..... resta saber se atempada, ou não!?

No meio de tudo isto, resta perguntar: que caminho escolhi? Pois, isso até vos digo que é o mais fácil! O que me intriga é: "será uma subida íngreme? Chegarei à meta a tempo"?

E vocês...?


Beijos e Abraços

quarta-feira, 1 de setembro de 2004

Lisboa




A simplicidade desta fotografia levou-me a escolhê-la, tal é o significado que nela está contido, e como é engraçada a representação que cada um pode fazer dela. Para mim esta foto deveria chamar-se " Setembro em Lisboa..."

Os pombos levantam vôo de novo, o eléctrico trás as novidades, e a Sé, por trás, é como que simbolizasse as memórias que ficam de umas férias repletas de histórias para contar!

Agosto é, sem dúvida, o mês de férias por excelência! Dizem também que é a época ideal para andar a visitar Lisboa. Nesta época tudo está calmo, sem grandes confusões, pouco trânsito, os transportes públicos até são "a alternativa" ao automóvel........ mas, confesso-vos, andava já farto de ver esta cidade moribunda. E é por isso que gosto tanto de Setembro!
Podem pensar: " este homem está doido! " - mas não! Gosto da agitação de início de mês, gosto de sair de manhã, ligar o rádio, e sentir que existe alguém vivo do outro lado.... pois tudo deixa de funcionar a "meio gás".
Setembro marca a diferença! É aquele final psicológico das férias, é o regresso das aulas para muitos estudantes, o reencontro de colegas e amigos, as novidades para contar, o reboliço dos exames e das inscrições.... é a agitação de uma metrópole, é Lisboa!

Regressa-se ao trabalho, inicia-se um novo ano académico, pensa-se no Outono que está já aí à porta, no frio, na chuva que há-de cair..... e sente-se o "cheiro" a quotidiano, de novo.
Curiosa esta sensação... quase que chega a ser paradoxal, pensar-se que o regresso à Lisboa caótica possa vir a trazer algum prazer. Na verdade, o prazer é um pouco fruto de alguma dor de cotovelo: " se as minhas férias acabaram.... também acho que já vai sendo altura de acabarem as dos outros!"...... claro q estou a brincar! Realmente, o que me motiva é que, nesta altura, começa um ano novo. Sinto que é aqui que começa o meu ano. Não é em Janeiro, onde tudo está a meio ( as aulas, o trabalho, as férias ainda estão longe,.... ) mas sim agora! Tudo vai começar a partir daqui!
Lisboa vai voltar a ter trânsito, os carros regressam à cidade, os restaurantes voltam a abrir, os bares mudam a decoração, as lojas lançam novas colecções..... a cidade volta a fervilhar. Para mim é sem dúvida uma lufada de ar fresco!

É certo que nem toda a gente pensa assim. Muitos prefeririam a cidade como estava: inerte, abandonada e improdutiva. Eu não. Sinceramente, gosto muito das mudanças que se dão nesta época do ano. Amanhã já notarei a diferença. Usarei, de certo, todo o meu vernáculo no caminho para o trabalho, e terei um dia muito mais complicado do que os da última quinzena.... mas é assim o dia-a-dia em Lisboa. Estarei muito mais feliz....

Beijocas e abraços

Gonça









sábado, 21 de agosto de 2004


As garotas num típico "pôr de sol" no Cabo de S. Vicente